Um automóvel que foi apresentado pela primeira vez no Salão de Bruxelas de 1951, embora as suas primeiras aparições surjam no segundo semestre de 1950. Derivava, ao nível de chassis, do 166 Inter (o primeiro verdadeiro Ferrari de Grande Turismo), que existiu em versões de 2420mm e 2500mm, sendo esta última a dimensão utilizada no 195. Este automóvel teve carroçarias desenhadas por Vignale, Touring e Ghia, para além de um único exemplar desenhado pela Ghia S.A. (Suiça), executado também por Giovanni Michelotti. Franco Cornachia, o concessionário Ferrari de Milão, obteve um primeiro prémio no Concurso de Elegância de Viareggio, para o 195 Inter, numa versão Vignale de cor preta. Neste desenho de Michelotti para a Vignale, notam-se certos pormenores idênticos aos usados para o 166 Inter Vignale, como sejam o capôt motor com inclinação para a frente, e uma original entrada de ar à frente, conseguida pelo rebaixamento da superfície frontal. O #0103S, assim como outros oito exemplares do 195 Inter Vignale, receberam carroçarias com alguns pormenores estilísticos particulares, como seja a ligação do tejadilho com a mala, num plano muito ligeiramente "quebrado" (como se pode verificar nesta foto), que transmite uma aparência mais "pesada" ao conjunto, sensação reforçada pela curva descrita pelos guarda-lamas por cima das rodas traseiras. O surgimento do seu sucessor, o 212 Inter, logo em 1951 (este 212 Inter foi logo anunciado no Salão de Bruxelas de 1951!), fez com que o 195 Inter fosse produzido em apenas vinte e cinco exemplares. Foi a partir de 1948 que a Ferrari iniciou uma nova forma de numeração (com quatro digitos) com o #0002M. A série "Stradale" teve início com os Allemano Spider e Coupé e Touring Coupé, respectivamente o #001S, #003S e #005S. A partir deste último, a designação dos automóveis de estrada passou a ser Inter, o que na época criou alguma confusão com os "I" dos Spider Corsa. No entanto, estes tinham esta referência devido à "Formula Internazionale", uma categoria criada na época para carros de Sport de 2 litros. A aplicação da designação Inter para os "Stradale" mantém-se um mistério... 

O motor do Tipo 195, corresponde à 4ª geração na árvore geneológica dos motores Ferrari. É um V12 a 60 graus, com uma cilindrada total de 2341cc (195 cc por cilindro) numa sucessiva progressão do motor baseado no inicial projectado por Gioacchino Colombo. Na versão criada para a competição, o aumento da potência foi de 140 para 170 CV.  A versão de estrada do 2,3 litros, difere do anterior 166 somente no diâmetro dos cilindros (65mm), isto para além da taxa de compressão que foi reduzida de 8 para 7,5:1, através da utilização de novas culassas e um carburador Weber 36 DCF que substituiu o anterior de 32mm (operação efectuada em alguns exemplares). No entanto, a montagem de três carburadores de duplo corpo surgia como uma possível opção. Com o equipamento standard, a potência era de aproximadamente 135 CV às 6000 rpm (nesta versão Inter).  A caixa de velocidades tem cinco relações (mais marcha atrás) e a suspensão recorre ao uso de molas de lâminas à frente e atrás e aos amortecedores Houdaille hidráulicos, solução idêntica à usada no 166 Inter. 

Um automóvel que, embora não tivesse à partida uma vocação desportiva, foi utilizado por alguns dos seus proprietários em competições. Se a nível internacional, foi Roy Clarkson quem utilizou um 195 Inter, o #0123S, pela primeira vez em competições desportivas, a nível nacional, foi Hermano Areias que em 1953 utilizou o #0103S, no Campeonato de Arranques do Clube 100 à Hora.



Nº de chassis construídos (1950/1951): Total de 27, entre o #081S e o #0195EL.

12 Vignale - 083S, 091S, 095S, 097S, 099S, 0103S, 0115S, 0119S, 0127E, 0151S, 0181EL, 0209EL

10 Ghia - 0087S, 0089S, 0093S, 0105S, 0109S, 0101S, 0121S, 0129S, 0133S
3 Touring - 0081S, 0085S, 0123S
1 Ghia-Aigle - 0195EL
1 Motto - 0117S


Principais características técnicas:
(195 Inter #0103S)

Motor:

V12 a 60º (frente, longitudinal)
Cilindrada: 2341,02 (65x58.8mm)
Cilindrada unitária: 195,095 cc
Taxa de Compressão: 7,5:1
Potência máxima: 130 a 135 CV às 6000 rpm
Distribuição: Duas válvulas por cilindro, árvores de cames simples
Alimentação: Um carburador Weber 36DCF
Ignição: Simples, um distribuidor

Transmissão:

Caixa de cinco velocidades + marcha atrás, montada em bloco com o motor. Tracção às rodas traseiras

Châssis:


Monobloco com tubos de aço de secção elíptica
Suspensão frontal: Rodas independentes, duplos quadriláteros, molas semi elípticas e amortecedores hidráulicos.
Suspensão traseira: Eixo rígido, molas de folhas transversal e amortecedores hidráulicos.
Travões: Tambor
Reservatório de combustível de 82 litros

Carroçaria:

Berlinetta de dois lugares. Vignale

Pneus:


Frente e trás: 5.90 - 15

Dimensões:

Distância entre eixos: 2500 mm
Peso: 950 Kg

Prestações:

Velocidade máxima: 180 Km/h


(Dados baseados em documentos oficiais)


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#0103S

Este foi um Ferrari importado novo por João Gaspar, a 17 de Abril de 1951, com o registo NT-12-74, e tinha originalmente uma carroçaria com dois tons de cor azul. O 1º proprietário deste 195 Inter foi José Cabral, que foi nesta época um habitual piloto de automóveis, mas que utilizou este Ferrari unicamente como automóvel de passeio, que na realidade o era. Posteriormente, Hermano Areias adquiriu-o e deu a este Ferrari (nesta altura já de cor vermelha) a sua única participação em competição, no Campeonato de Arranque do Clube 100 á Hora de 1953, tendo-se classificado em 4º lugar, numa prova disputada a 8 de Março na Avenida de Ceuta em Lisboa. Por curiosidade, atrás de outros três Ferrari, o 225S #0200ED de Joaquim Filipe Nogueira, o 225S #0180ET de Jorge Seixas e o 166MM #0040M de Leão José Azavey Teixeira. 


1953


Campeonato de Arranque do Clube 100 á Hora
Avenida de Ceuta
8 de Março
Hermano Areias
4º Classificado


Outros detalhes da vida do #0103S


1951. Em 2º plano, o 195 Inter #0103S no stand de João Gaspar na rua Passos Manuel nº225 no Porto. (em 1º plano, o 166 MM #0056M)


A 28 de Dezembro de 1955, e nessa altura com a cor vermelha na carroçaria e o tecto pintado de preto, foi comprado por Luís de Sttau Monteiro, conhecido dramaturgo e que também foi piloto de automóveis, embora nunca tenha utilizado o #0103S em competições. Todos os posteriores proprietários deste 195 Inter, Carlos Faustino (Janeiro de 1956) e João Teixeira Vasconcelos (Dezembro de 1959), deram-lhe também única e exclusivamente uma utilização turística. Posteriormente, em meados dos anos sessenta (aproximadamente em 1966), este Ferrari surge com um registo em nome da Sociedade Comercial C. Santos, o importador da Mercedes para Portugal.
Este Ferrari é actualmente o mais antigo presente em Portugal, e encontra-se desde 9 de Janeiro de 1968 no Museu do Caramulo. Após um restauro efectuado em 1998, nas oficinas de Philippe Rochat / Olivier de Siebenthal, o #0103S foi pintado com as suas cores originais. (em Agosto de 2000)



Ainda ostentando a cor vermelha na carroçaria, o #0103S nos jardins do Museu do Caramulo
(Foto: Arquivo Museu do Caramulo)

No ano de 1998, altura em que o 195 Inter era transportado para a Suíça, onde foi restaurado nas oficinas de Philippe Rochat e Olivier Siebenthal. A viagem de volta para Portugal foi feita pelos próprios meios.
(Foto: Arquivo Museu do Caramulo)

A actual configuração do 195 Inter #0103S que faz parte da coleção do Museu do Caramulo. Foi em Agosto de 2000 que foi pintado com as actuais cores.
(Foto: M. Taboada)


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#0151S


Foi importado por João Gaspar a 13 de Dezembro de 1951, e foi registado com a matrícula: OT-13-30.
O primeiro proprietário foi Jorge da Silva Reis, do Porto, que o comprou a 29 de Dezembro de 1951. A 29 de Outubro de 1956, foi adquirido pela firma A.M. Almeida de Lisboa. Posteriormente teve uma série de diferentes proprietários: Francisco Catalão (10 de Agosto de 1959). Em 1960, este Ferrari surgiu na Volta a Portugal (3 a 6 de Março) conduzido por Joaquim Morgado Soares, sócio da Augusto Palma na Palma & Morgado. Posteriormente foi pertença de Diogo Dias (24 de Agosto de 1960), Jorge Fernandes (7 de Dezembro de 1962), Carlos Alberto dos Santos (12 de Agosto de 1963) e Rui Jesus de Sousa (1 de Março de 1965). Nesta altura, este 195 Inter sofreu algumas alterações ao nível da carroçaria, com alterações dos pára-choques, luzes de travões traseiras, saídas de ar cromadas e faróis frontais.
Em 1975 foi enviado para França, e em 1978 foi comprado por Massimo Colombo. Nesta altura o #0151S foi restaurado para a sua forma original, em Itália. A partir de meados dos anos oitenta foi adquirido por Fabrizio Violati, passando este 195 Inter a fazer parte da colecção "Maranello Rosso", pertença de Violati.



1960

Volta a Portugal
3 a 6 de Março
Joaquim Morgado Soares (Nº1)
Não terminou (Abandonou na 1ª etapa, não chegando a fazer a 1ª complementar da prova)
(Foto: Diário de Notícias / Arquivo de Ângelo Pinto da Fonseca)